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Como é o São João em várias partes do mundo

Por Hugo Souza

Em países como Polônia, Ucrânia e Finlândia, a noite de São João não fica devendo muito às festas juninas do Brasil

Nem carnaval, muito menos réveillon. Para muitos entre a brava gente brasileira, a festa popular mais esperada do ano é o São João. Neste ano de 2012, as festas juninas por excelência, ou seja, aquelas realizadas na noite do dia 23 para 24 de junho, a noite de São João, acontecerão neste sábado, o que significa que amanhã muita fogueira vai arder, muito salsichão vai para a brasa e muito som de sanfona vai ecoar na noite fresca do começo de inverno pelo Brasil afora.

Aliás, o São João tal e qual o conhecemos é tão típico do Brasil, é caracterizado de maneira tão marcante com a comida, a música e as roupas da gente matuta da nossa terra, que a maioria das pessoas tende a pensar que esta é uma festa exclusiva nossa.

Exclusiva nossa? Que dizer, então, da Noc Świętojańska, “Noite de São João” em bom polonês. Na Polônia, a Noc Świętojańska faz parte do calendário oficial das cidades mais importantes do país, como Varsóvia e Cracóvia, e uma das tradições da festa é justamente o uso de fantasias — não de caipira, claro, mas de pirata. Que dizer também da festa de Ivana Kupala (João Batista) na Ucrânia, onde é comum — vejam só — a brincadeira de pular a fogueira.


Juhannus: fogueira (kokko) e salsichão (makkara)



Já o São João da cidade do Porto, em Portugal, por vezes pode parecer mesmo uma mistura de carnaval com réveillon. Entre as tradições da noite do dia 23 para 24 de junho estão os martelos de plástico, os famosos martelinhos de São João do Porto — que há algumas décadas chegaram a ser proibidos porque as autoridades entenderem que o brinquedo atentava contra a tradição –, e fogos de artifício à meia-noite.

Nos países no norte da Europa a noite de São João coincide com o solstício de verão, o dia mais longo do ano e marco da chegada do clima mais quente. Curiosamente uma das festas de São João daquela região mais parecidas com as do Brasil é o Juhannus. Sim, Juhannus, o São João finlandês, entre cujos maiores símbolos estão dois itens de festas juninas que nos soam bem familiares: a fogueira (kokko) e o salsichão (makkara).

Em Penedo, no sul do estado do Rio de Janeiro, única colônia finlandesa do Brasil, são comuns as celebrações do Juhannus, ainda que mais à moda brasileira mesmo, mas sempre, obrigatoriamente, com uma bandeira da Finlândia hasteada entre bandeirinhas coloridas e ao som de forró, xotes e xaxados.

Em reportagem recente sobre o Juhannus, a revista de viagens Lonely Planet parece ter achado a expressão mais certeira para descrever a noite de São João na Finlândia: é a noite em que o país “descongela”.

Do casamento na roça ao casamento nórdico



Na Finlândia aliás, tem até uma versão nórdica, por assim dizer, do nosso casamento na roça, brincadeira que não pode faltar em São João brasileiro que se preza.

No folclore finlandês, a meia-noite do Juhannus marca o momento em que as finlandesas solteiras tentam descobrir, identificar quem serão os seus futuros e respectivos maridos. Uma crença muito comum é a de que se uma garota ficar nua em um lago precisamente à meia-noite ela vai ser capaz de ver o rosto daquele que virá a ser o seu consorte.

Isso no país com o maior número de lagos em todo o mundo. Mas se aqui o casamento na roça não passa de uma encenação, lá, na Finlândia, o São João parece de fato inspirar o romantismo: a época do Juhannus é a mais popular para se casar.

E quem achava mesmo que o São João com fogueira e salsichão era nosso — só nosso — e achou estranha a ideia de poloneses pulando fogueira no fim de junho, não gostará nada da tese defendida por alguns estudiosos de que o “2 pra lá 2 pra cá” do arrasta-pé do forró, afinal, veio da polca…
in http://opiniaoenoticia.com.br, 17.07.2012

 

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