Viva São João
Viva o milho verde
Viva São João
Viva o brilho verde
Viva São João
Das matas de Oxóssi
Viva São João


Gil e Caetano
Próximos eventos

  Viva São João

São João Carioca

Roda Besteirológica especial de São João

PB: oficina de sanfona chama a atenção dos forrozeiros

Festa julina em Volta Redonda atrai milhares de pessoas

Conselho Universitário da Universidade Estadual da Paraíba institui “Medalha Luiz Gonzaga”

Sony reedita Luiz Gonzaga em CD e digital

Programa Gente Nossa inova e faz sucesso na cobertura do São João 2012 em Campina Grande

Secretaria de Estado de Cultura abre dois editais de Cultura Popular

‘Menor São João do Mundo’, na PB, arrecada água para vítimas da seca

Cerca de 20 mil se despedem dos festejos juninos em Estância, SE

Chega ao fim em Campina Grande o 'Maior São João do Mundo'

Primeiro Festival Mundial de Forró na Feira de São Cristóvão

O Maior São João do Cerrado traz o melhor da cultura popular brasileira

São João Carioca

Tem choro no forró

FIG terá noite dedicada ao centenário de Luiz Gonzaga

DVD

São João Carioca

Em Caruaru, Margareth Menezes homenageia Luiz Gonzaga e Azulão

Gaby Amarantos, Latino e DJ João Brasil comandam festa em Parintins

Estado baiano recebeu mais de 90 mil turistas em quatro dias de festa

Centro de Educação Infantil faz festa junina usando recicláveis

Secretaria da Cultura promove Festa Junina Solidária em Bauru, SP

ABC de Gonzagão

Que venha o São João

Fogueirinha vence e representa a capital no torneio de quadrilhas da PB

Bombeiros dão dicas para evitar acidentes com fogueira e fogos

Dance forró com ele

Conversa Brasileira especial de São João

Baião

Luiz Gonzaga é homenageado com eventos em Diadema

Caruaru: Targino Gondim abre noite de homenagem a Gonzagão

CORREIO distribui CDs do forrozeiro Targino Gondim nesta terça-feira (19)

Dia 13 de junho, dia de Santo Antônio

Roda viva

São João Carioca: segundo dia

Atingidas por secas, festas de São João do Nordeste homenageiam Luiz Gonzaga

1º Arraia da Cidade Verde

Em traje caipira, Ivete canta com Preta Gil no São João Carioca

Ivete Sangalo e Preta Gil cantam juntas no Rio de Janeiro

Arraial da Maria Aragão atrai turistas de todo o Brasil

Salvador é opção para quem quer curtir festas do Nordeste sem precisar ir ao interior

Ivete Sangalo e Preta Gil animam o São João Carioca

O sucesso do São João Carioca: primeiro dia

Ivete Sangalo e Preta Gil agitam convidados durante o São João Carioca

Rio: Zeca Pagodinho recebe Jorge Ben Jor e Elba Ramalho em festa

São João na Quinta

Nem chuva afasta público do São João Carioca, na Quinta de Boa Vista

São João pra lá de arretado

Arraial superestrelado

Já é tempo de festa junina para os cariocas

Zeca Pagodinho e Ivete Sangalo se apresentam de graça no Rio de Janeiro

Zeca Pagodinho e Ivete Sangalo comandam o São João Carioca

Festa Junina no Minhocão

Estrelas celebam São João

Ivete de graça deve atrair 100 mil

São João Carioca 2012

Baladas juninas pop têm "quadrilha clubber" e barraca do beijo

Restaurantes incorporam quitutes juninos

Em Parintins

Quentão

Atingidas pela seca, festas de São João do Nordeste homenageiam Luiz Gonzaga

Agenda de festas juninas no Rio

Em São Cristovão, Ivete Sangalo e Zeca Pagodinho agitam São João Carioca

Caruaru promete realizar um São João pra não se esquecer

Contação de Histórias para as crianças no São João Carioca - Vera Ribeiro contará lendas dos Índios Fulni-ô

Pinhão não é só comida típica de festa junina

Festa Junina de São Pedro da Serra

Concurso "Levanta Poeira 2012" é aberto em Salgado, SE

Roupas xadrez invadem as vitrines das lojas do centro

São João do Rio

Santo Antônio de Jesus se prepara para realizar o melhor São João do País

Festas juninas invadem Brasília com ritmos que vão do caipira ao rock

ROCK JUNINO

Tá bom demais

Festa junina no Rio

Notícias 2011
Notícias 2010
 

Luiz Gonzaga e o Cordel do Fogo Encantado

Por Paquito

De Luiz Gonzaga, Darcy Ribeiro dizia: "é o nosso Homero". Nenhum artista teve a capacidade de representar uma região do país (no caso, o Nordeste) como ele. Se formos falar da música do Sudeste na época dos anos dourados da canção brasileira, temos de citar Noel Rosa, Ary Barroso, Lamartine Babo, Pixinguinha etc. Só a citação do nome de Gonzaga, em que pese a importância de Jackson do Pandeiro, dá conta do que se chamaria nordestinidade. Tanta grandeza às vezes assusta, e é natural que surjam vozes discordantes do artista e sua obra.
Umas dessas vozes é a do cantor Lirinha, integrante do grupo Cordel do fogo encantado que deu às seguintes declarações à Pedro Alexandre Sanches, da Carta Capital: "o que a gente mais escuta é que Asa branca é o hino do Nordeste. Mas adotá-la como hino é submeter uma população, é forçar a juventude a repetir por gerações e gerações que braseiro, que fornalha, nem um pé de plantação. Nem um pé de plantação? Se existe hoje a visão de uma turma que mora no Sertão e é o contrário disso, que acha que deve haver vários pés verdes, que a irrigação deve ocorrer, que deve ser quebrado o coronelismo? Luiz Gonzaga sabia fazer músicas belíssimas, mas na obra dele há a perpetuação dessa submissão. E é entendido como um hino do Nordeste?". O colega de grupo de Lirinha, Clayton, arremata: "É datado, não é atemporal. Pode representar um momento, uma época, mas não serve pro futuro".

Vamos, primeiro, à autocrítica do próprio Gonzaga, relatada por Gilberto Gil em entrevista a Augusto de Campos, em 1968, publicada no livro Balanço da bossa. Gil: "Falando de Procissão, ele dizia: - Puxa, Gil, como eu gostaria de ter feito essa música.(...) Vocês hoje reclamam, vocês falam da miséria que existe no Nordeste, da falta de condições humanas. Eu não podia, eu falava veladamente, eu era muito comprometido, muito ligado à Igreja no Nordeste. Eu tinha compromissos com os coronéis, com os donos de fazenda, que patrocinavam minhas apresentações. Eles eram o meu sustento. Eu não podia falar muito mal deles".
A fala de Luís Gonzaga é corajosa quando toca nas suas limitações enquanto artista profissional, mas a obra (e é à obra que Lirinha e Clayton se referem) responde de maneira mais completa e ampla às críticas feitas pela turma do Cordel. No que diz respeito apenas a Asa branca, de Gonzaga e Humberto Teixeira, o drama da seca, algo bem comum no Nordeste e não uma fantasia, como talvez faça supor a fala de Lirinha, é descrito de maneira a um só tempo poética e crua ("a terra ardendo qual fogueira de São João", por exemplo) e, por isso, tão forte, que a canção alcançou o status, não à toa, de hino. Não parece ser intenção dos autores perpetuar o drama da seca e a submissão. Provavelmente Lirinha não ouviu o resto da música que contém estes versos, aliás, antológicos: "quando o verde dos teus olhos/ se espalhar na plantação/ eu te asseguro, não chore, não, viu/ que eu voltarei, viu, meu coração", e portanto, a esperança de que a situação não prevaleça.
Há uma outra canção de Gonzaga, esta em parceria com Zé Dantas, A volta da asa branca, que já no título refere-se à Asa branca, cuja letra diz: "rios correndo, as cachoeiras tão zoando/ terra molhada, mato verde, que riqueza/ e a Asa Branca, à tarde canta, que beleza/ ai ai, meu povo alegre, mais alegre a natureza".
No tocante à perpetuação da submissão, em Vozes da Seca, de Gonzaga e Zé Dantas, há a seguinte estrofe: "seu doutor, os nordestinos têm muita gratidão/ pelo auxílio dos sulistas nessa seca do sertão/ mas doutor, uma esmola pra um homem que é são/ ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão/ dê auxílio ao nosso povo/ encha os rios de barragem/ dê comida a preço bom/ não esqueça a açudagem/ livre assim nós da esmola/ que no fim dessa estiagem/ lhe pagamo inté os juros/ sem gastar nossa coragem". Essa é a obra que perpetua a submissão? E o que dizer, falando em auto-estima e consciência da nossa identidade, de Imbalança? "Você tem que viver no sertão/ pra na rede aprender a embalar/ aprender a bater no pilão/ na peneira aprender peneirar/ ver relampo no meio do trovão/ e virar folha seca no ar/ para quando escutar meu baião/ imbalança imbalança imbalançá".
Sobre Gonzaga ser datado, os procedimentos estéticos de Gonzaga e seus parceiros são tão modernos que suas canções não apenas representam o Nordeste, mas são o Nordeste; da mesma maneira, as canções de Dorival Caymmi são a Bahia. Aliás, Gonzaga e Caymmi inventaram mesmo as regiões de que falam. O trio zabumba-triângulo-sanfona, tão comum e disseminado que parece ter saído da tradição, foi uma invenção de Luiz Gonzaga. Pra Gonzaga, citando Drummond, ficou chato ser moderno, ele é eterno, o que não quer dizer que não deva ser criticado. Só que a crítica tem de ser feita, para se sustentar, com um mínimo de conhecimento da tradição a que se contrapõe, e lucidez para separar o homem da obra, a postura ética da pertinência estética. A atuação política de Gonzaga passou, o mestre se foi, ficaram as lições.
in Revista Terra Magazine , 02.07.2012

 

Busca
Deixe seu e-mail para receber notícias